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Ao longo da minha jornada de trabalho ao lado de empresas de impacto positivo, eu conheci muitas pessoas interessantes, cujas histórias são inspiradoras e emocionantes. São quase 30 anos colecionando amigos muito especiais nessa caminhada – às vezes tão tortuosa – em busca de um mundo mais justo, equilibrado e respeitoso com as pessoas, os animais e o meio-ambiente.

Eu vou destacar aqui, dois desses seres iluminados que provocam a gente a se tornar um ser humano melhor: Gonzalo Muñoz e Daniela Lerario. Eles me contaram suas histórias, há mais de 10 anos e que me tocam e inspiram até hoje. Quando nos conhecemos, Gonzalo contou sobre a TriCiclos, uma empresa que fundou e que na época tinha a Daniela, como diretora no Brasil.  A TriCiclos é uma empresa que nasceu no Chile com a finalidade de  corrigir a geração de lixo, entendida como um erro de design. Uma dupla super alinhada principalmente nos valores e buscas para um mundo melhor. 

O que mais me marcou nas histórias que eles me contaram é que antes de fundar a Triciclos, Gonzalo era um executivo muito bem sucedido que sempre sentia uma inquietação dentro de si com as questões relacionadas à sustentabilidade, especialmente em relação à produção de lixo. Mas, por ironia da vida, ele trabalhava com algo que estava na contramão do seu sentimento de um mundo mais sustentável e equilibrado socialmente. Um dia, ele percebeu que, para continuar sendo bem sucedido no mundo corporativo, tinha que deixar sua alma em casa. E sua alma estava muito machucada. 

Até então, eu nunca tinha me atentado para a gravidade desse tipo de situação. Quantas pessoas não precisam deixar suas almas em casa para serem bem sucedidas no mundo corporativo? Imaginem o que isso significa na saúde mental e física de uma pessoa? Essas situações me fazem refletir muito sobre nosso propósito e nosso estilo de vida. 

Foi então que ele decidiu mudar completamente sua vida, e pelo que entendi, a Dani, bióloga de formação  e desde cedo é uma apaixonada pelo meio ambiente, também foi tocada por esse exemplo do Gonzalo. 

Essas decisões não são fáceis, mas, às vezes, necessárias. Ele abandonou a carreira corporativa para criar a TriCiclos, em 2009, que foi a primeira empresa a conquistar o selo de Empresa B na América Latina. A TriCiclos, na época de nossa conversa, criava soluções para combater a geração de resíduos antes que sejam projetados e produzidos para garantir que tenham um destino circular, de reutilização e reciclagem, evitando a contaminação do meio ambiente.   

Sempre que penso nas conversas que tive com eles, me vem à mente a frase do filósofo francês Jean-Paul Sarte: “Consciência é acima de tudo responsabilidade.” Quanto mais penso sobre essa frase, mais insights ela me traz e mais verdadeira ela se torna. A partir do momento que nos deparamos com determinada informação, adquirimos, também, responsabilidades sobre ela. É algo muito parecido com que eu sempre escrevo nos meus textos (me desculpem pela repetição! ), mas de forma muito sincera: a partir do momento que tomamos consciência sobre certas coisas, nos tornamos responsáveis pelo que decidimos fazer e, também, pelo  que decidimos não fazer.

Essa responsabilidade paira sobre absolutamente tudo. Desde a nossa responsabilidade enquanto consumidor de escolher aquilo que a gente acha que comunga com o que queremos do mundo, passando pelas nossas escolhas alimentares, sobre nosso estilo de vida e sobre a qualidade de como usufruímos do nosso tempo. 

Na medida do possível, é importante fazermos adaptações e mudanças na nossa rotina e no nosso estilo de vida para diminuirmos as nossas pegadas ecológicas ( clique aqui para ver uma seleção de conteúdos que preparamos sobre esse assunto e, dessa forma, encontrarmos um equilíbrio maior entre nossa existência e o meio ambiente.

Para mim, Gonzalo e Dani são exemplos vivos e corajosos da frase de Sartre: precisamos encarar a nossa responsabilidade sobre nossas ações e, também, sobre nossas omissões. Afinal, a partir do momento que tomamos consciência dos problemas nos tornamos responsáveis pela solução ou pela continuidade dos mesmos. E agora? Como desejamos viver? Como queremos trilhar nossa vida? O que é realmente importante para nós? São perguntas difíceis e nem sempre confortáveis – acho que, até, angustiantes. Mas, precisamos encarar o desafio. Se concordarmos em fazer esse esforço coletivamente, nos sentiremos mais fortes e conquistaremos as mudanças de forma mais rápida. Está nas nossas mãos fazer essa escolha. 

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O caminho para a construção de uma identidade sustentável https://changeforgood.com.br/product/change-makers/renata-brunetti/o-caminho-para-a-construcao-de-uma-identidade-sustentavel/ Thu, 11 Jul 2024 13:34:05 +0000 https://changeforgood.com.br/?post_type=product&p=12041 Vivemos em um mundo interconectado, onde nossas ações vão além de nossa própria esfera de influência. Nesse contexto, a busca […]

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Vivemos em um mundo interconectado, onde nossas ações vão além de nossa própria esfera de influência. Nesse contexto, a busca por um mundo mais equilibrado socialmente e sustentável requer não apenas mudanças em políticas e tecnologias, mas também uma profunda reflexão sobre nossa própria identidade, nosso papel na sociedade e nossa responsabilidade na construção desse novo paradigma. 

A modernidade, centrada na busca pela razão e certeza e apoiada na compreensão tradicional de uma identidade fixa, coerente e permanente proposta por Kant e Descartes, representada principalmente pela expressão “penso, logo existo”, viu a identidade como uma entidade estável, alheia às influências externas. Contudo, a complexidade crescente das interações sociais e as revoluções tecnológicas vem redefinindo a nossa relação com a identidade dando lugar a uma abordagem mais dinâmica e sofisticada, que reconhece a profunda interconexão entre quem somos e o ambiente que nos rodeia. 

E nesse contexto, de uma multiplicidade de identidades subjetivas – móveis, díspares e errantes, emerge a “identidade pós-convencional”, um conceito defendido por Habermas 1 essencial para entender como nossas identidades individuais e coletivas 1 estão em constante diálogo com o mundo à nossa volta. Ela reconhece que nossas crenças, valores e escolhas não são apenas reflexos de influências externas, mas também contribuem ativamente para a construção do nosso ambiente social uma vez que estamos moldando as normas, valores e estruturas da sociedade em que vivemos. 

Na busca pela sustentabilidade, a busca pela emancipação é um componente fundamental. A capacidade de tomar decisões autônomas e desafiar as normas convencionais, é um dos principais componentes dessa jornada de autodescoberta e influência mútua. A emancipação envolve a busca pela autonomia, pelo poder de tomar decisões autênticas e pela capacidade de desafiar as normas convencionais. 

E nesse cenário de identidades fluidas e diversas, o papel do Direito se torna crucial. O sistema jurídico precisa se adaptar para refletir essa complexidade, estabelecendo limites e diretrizes que promovam a expressão autêntica das identidades individuais e coletivas, sem levar ao caos. 

1 Jürgen Habermas 1990 – “O pensamento pós- metafísico: estudos filosóficos”

A relação entre a identidade em transformação e a busca pela emancipação cria um ciclo virtuoso. À medida que nos libertamos das restrições das identidades convencionais, contribuímos para a formação de uma sociedade mais adaptável e inclusiva. 

A perspectiva de “identidade-metamorfose-emancipação”, de Antonio da Costa Ciampa , meu orientador de mestrado e doutorado, ressalta que nossa identidade 2 é um processo contínuo de mudança. A busca pela emancipação desempenha um papel fundamental na construção dessa identidade em constante evolução. 

É nessa perspectiva de construção de uma identidade emancipatória que apoio o meu pensamento de que podemos mudar o mundo para melhor com nossas escolhas diárias. Essa busca por uma identidade em constante transformação ecoa de maneira surpreendentemente harmoniosa com a busca pela sustentabilidade. Da mesma forma que nossa identidade se adapta às mudanças sociais e ambientais, precisamos adotar abordagens mais sustentáveis em nossas vidas, considerando o impacto de nossas escolhas no mundo ao nosso redor. 

Ao explorar a construção da identidade em um mundo em constante evolução, estamos, ao mesmo tempo, explorando como viver de maneira sustentável. Reconhecemos a interconexão entre nossas identidades individuais e o mundo compartilhado em que vivemos. Ao abraçar essa jornada de autodescoberta e evolução, estamos dando passos importantes em direção a um futuro consciente, inclusivo e harmonioso, onde a construção da identidade e a busca pela sustentabilidade coexistem de forma harmoniosa e enriquecedora. 

2 Antonio da Costa Ciampa – 1986 – “A estória do Severino e a história da Severina”

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